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Prólogo:

Essa é uma simples historia, talvez não tão simples assim, deveria começar pelo principio ou por um fato marcante, mas não, começarei por uma carta.

Cara desconhecida,

Desculpe por nunca ter te conhecido, de não ter vivido momento algum de minha vida ao teu lado.

Perdoe também por nunca ter procurado por ti, espero que possa usar de misericórdia para comigo e me perdoe também por não secar nenhuma de tuas lagrimas, de não ter te abraçado nem te beijado.

Perdoe-me por nunca sequer ter passado uma noite ao teu lado, por não ter  esquentado-te com o calor do meu corpo nos dias frios.

Queria desejar-te toda felicidade do mundo ao lado de alguém que tenha a oportunidade de te conhecer ou que já a conheça.

Gostaria de fazer meus, todos os afagos e caricias que esta pessoa possa te dar que te faça sorrir tudo quer não pude e que te ame mais do que te amei mesmo sem ter te conhecido.

Uma vez mais me perdoe por nunca ter te encontrado.

Se algum dia por acaso pensar em em juntar-se a mim serás bem vinda.

Quem me dera ter podido saber teu nome…

Sinceramente teu,

Desconhecido.

Com lagrimas nos olhos escrevia esta carta para alguém que nunca viu, mas que desejou ter encontrado todos os dias de sua vida.

Fato difícil de se entender é: por que motivo ele nunca conheceu sua desconhecida? Será que essa desconhecida seria seu verdadeiro amor?

Se a resposta é sim ou não nunca saberemos, o que sei é que Desconhecido morava numa casa antiga na rua dos sonhos não sonhados, o que lhe caía muito bem.

Assim começa e acaba a historia de um desconhecido que nunca conheceu sua desconhecida.

(Wendel Pedersane)

Creio muito na vida, se ela me desse todas as tristezas possíveis ainda assim a estimaria grandiosamente.

As vicissitudes da vida fazem com que apreendamos e são essenciais para o fortalecimento da formação.

Digo, portanto que em todas as alegrias e em todas as tristezas sou e fui feliz.

Um amigo que se vai deixa saudades, a morte de um ente querido marca a passagem de um luto e um entendimento melhor das questões mais existenciais possíveis.

Quando divago nos porquês da vida o faço não por apreciar o indagamento eterno de questões sem resposta e sim pelo simples fato de querer buscar a verdade absoluta.

Minha vida não é mais dura do que a de qualquer outro ser vivente, minhas tristezas de mesma forma não superam a de mais ninguém, e minhas alegrias não são também maiores que a de nenhuma pessoa. São apenas o suficiente para mim e são marcas do aprendizado diário de um ser que busca ”Mais que amor, dinheiro e fama dai-me a verdade”.

Dia após dia sou o que sou mesmo que por baixo da pele que habito, por fora posso ser todo sorriso e um choro e lagrimas, mas onde me situo que é no mais interno de minha derme eu continuo sendo a mesma criança que tem medo do escuro e que adora descobrir coisas novas e se surpreende e tem calafrios com a bondade humana.

Não creio, portanto na mentira porem, sei lidar com ela e aceitar que nem todos podem ser tão verdadeiros principalmente porque nem todos querem aceitar a verdade e com o pensamento filosófico que diz: ‎”O problema crucial é o seguinte: a filosofia aspira à verdade total, que o mundo não quer”. Sigo assim todos os dias mantendo- me escondido e aceitando meu triste destino de ser vivente metamórfico que por dentro sou algo e por fora sou fantasia de carnaval, no entanto como todo carnaval tem seu fim espero que algum dia possa eu ser totalmente verdadeiro e não mais ter medo de pensar e dizer o que penso.

A vida continua sendo a melhor escola que eu poderia ter, e com a vida aprendo e eternamente seguirei aprendendo, pois não há paixão maior no mundo do que o amor pelo conhecimento e pela verdade.

“Somos apenas almas perdidas
Nadando num aquário
Ano após ano
Correndo sobre o mesmo velho chão”

Agradeço aqui a todas as pessoas que por mais duras que minhas experiências com elas tenha sido me fizeram ser o que sou e viver não um conto de fadas, mas a verdade da vida. E agradeço as pessoas que também me fizeram feliz nem que tenha sido apenas por um ‘bom dia’ ou um simples aceno de cabeça, por mais que  me confronte essa ideia agradeço também as pessoas que mentiram para mim, pois sem elas não haveria a minha busca e apreciação da verdade.

Sou um amante de tudo que há seja claro ou escuro, seja vivo seja morto, minha poesia não se retém as tristezas e nem as alegrias, mas a tudo que me é apreciado e visto com o decorrer dos poucos anos que tenho.

Nada me é mais valoroso do que o brilho do sol em meus olhos refletindo a minha criança interior que nunca morrerá sofra o que sofrer, e sempre pronto a perdoar estarei. Pelo simples fato de saber que um dia estarei dando risada de todos as experiências que tive e que ainda vou ter.

Por ser eu amante de tudo que é belo, indiferente de gostos ou preferências vivo feliz e triste e amo a inconstância dos meus sentimentos, pois eles são reflexos de uma vida que não é farsa e fingimento, mas uma vida onde meus pés estão no chão, porém minha mente esta repleta de sonhos e verdades não vividas, dá tempo a tempo e deseje o melhor sempre respeitando o imprevisível, pois ele é um grade mestre.

Cá estou e aqui ficarei com meus sonhos e desejos e que meu peso nunca seja maior que minha leveza e nem que minha leveza me tire completamente do chão.

Amo a vida e sofro com ela.É um amor difícil, mas por isso é que a amo, por ser real e verdadeira comigo.

 

-Wendel Pedersane-

É aquele momento na vida onde olhas ao redor e tudo vê, mas nada percebe.
Não temos mais os mesmos sonhos e as alegrias mudaram.
Os ventos que foram levaram nossa inocência e o brilho de nossa juventude.
As águas do rio da vida ficaram turvas e densas, e os raios de sol mal tocam a pele.
As nuvens passam depressa assim como os anos que temos de sobra, afinal é uma contagem regressiva.
Eu me lembro de você menina e cheia de vida, buscando o impossível e querendo alcançar o inimaginável.
E a vi sentada na calçada contando em seus dedos o que poderia fazer, e o que você pode fazer?
A chuva começou e seus olhos contavam os pingos tocando as poças e criando ondas.
Você observava as nuvens negras chegando e me abraçava ao som do trovão e ao mesmo tempo contemplava o raio.
Essa menina se levantou após a chuva e seguiu o caminho que quis seguir e agora ela não volta.
Sempre seguindo em frente sem olhar para trás, como a historia do pássaro que depois de tanto reconstruir seu ninho após cada tempestade não se lembrava mais de onde viera e o que estava a fazer, apenas continuava a construir sua casa, tempestade após tempestade, e o que é o pássaro agora? Nem ele mesmo sabe, pois já se esqueceu.
Mas sempre há o arco Iris depois da grande tempestade, e as torrentes que criam rios que dão vida e vida que vem e que vai sem parar.
Como impedir a felicidade de crescer no coração todos os dias? Da mesma forma que se seca uma lagrima antes de rolar completamente pelo rosto.
E agora? Eu te vejo dormir, e te aprecio em cada movimento dos teus lábios, e admiro o que eras antes e mesmo a contra gosto admiro o que és agora.
Tão próximo que quando inspiras, eu exalo…

-Wendel Pedersane-

Eu entro em um ônibus, esse é meu caminho para casa. A mesma rotina me persegue, tenho uma lista de musicas a qual escuto no caminho de volta ­a casa.

Eu olho pela janela e sempre vejo tudo passar, a noite é sempre a mesma historia muros e ruas, carros e pessoas nos pontos de ônibus aguardando sua vez de ter aquele desejo de estar dentro do ônibus e querer chegar imediatamente.

Eu escuto uma valsa e ela vai devagar e ao piano solo, as luzes ficam distorcidas e as imagens janela afora passam rápido, e é assim que eu vejo a vida, um turbilhão de imagens que passa rapidamente e que apenas algumas podemos nos lembrar, e guardar com carinho.

Eu leio um livro, o livro é sobre o riso e o esquecimento.  Afinal de contas é bem verdade que a vida pode ser resumida ao riso e ao esquecimento. Rimos e esquecemos, esquecemos e rimos.

O riso nos faz aproveitar o que há de melhor nos pequenos momentos e nos faz lembrar que assim é, enquanto rimos podemos chorar, mas para chorar precisamos parar de rir. O riso é como o vento ele passa por nós e nem sempre conseguimos nos lembrar do que estamos rindo.

Tão fácil é esquecer e algumas vezes é um prazer, entretanto em outras é doloroso. O esquecimento pode nos abater e nos tornar insensíveis. Ainda bem que não somos capazes de lembrar tudo, como na manhã após um porre, momentos magníficos são quando os amigos sentam-se ao redor e contam-nos coisas que absolutamente não fazemos ideia que fizemos e que poderíamos chegar a fazer.

O riso e o esquecimento estão muito próximos um do outro, assim como a vida esta próxima da morte, e a lagrima que esta prestes a rolar.

A musica muda e agora eu vejo que não me importo mais com as imagens que vejo pela janela, agora com essa canção eu estou longe, apenas pensando em alguém que me fez e me faz feliz. Eu não a esqueço, e nem quero, mantenho minhas lembranças vivas aguardando o momento certo de esquecê-las, será que haverá um momento certo para esquecê-las?

Vejo seus olhos cor de mel olhando dentro dos meus e vejo seu sorriso e me delicio com ele, mesmo que eu não reconheça meu rosto no espelho eu reconheço seu sorriso, e isso não é possível de ser esquecido.

Há beleza em tudo que passa, e em tudo que fica, há beleza no céu e há beleza dentro de nós e só nós mesmos não a enxergamos. No entanto nenhuma beleza é comparável com a beleza de seus olhos que assim que ela os fecha eu caio no sono.

Às vezes é complicado lembrar-me de quem sou, sei que sou um alguém pertencente a uma família e que existem pessoas que se importam comigo, creio que tenho sorte por isso. Mas dentro de mim bem ao fundo não me encontro, os personagens dos livros me parecem atraentes e por eles eu me apaixono e assim vou absorvendo suas personalidades e suas manias e de personagem em personagem minha vida fica cada vez mais vazia de mim mesmo.

Eu olho agora as estrelas e as vejo imóveis e não importa o quão rápido o ônibus vá elas estão lá no firmamento brilhando com toda sua força e esplendor, e percebo minha pequenez e fico maravilhado com isso.

A musica muda mais uma vez e agora uma batida mais romântica me trás de volta no tempo, ao primeiro dia que a beijei e começo a mover meus lábios e começo a cantarolar baixinho e por um minuto eu sou eu mesmo e algumas pessoas reparam em mim e devem pensar: “ai está alguém feliz”.  Feliz? Contente talvez feliz apenas quando olho direto para o sol e seus raios refletem em minha Iris não me deixando esquecer seus risos e de seus olhos cor de mel.

Então quando chego próximo de desembarcar e me dirijo à porta escuto uma canção que me faz lembrar que nada tenho e de nada preciso, o esquecimento ainda não se abateu sobre mim e o riso continua em meu coração e assim eu deito em minha cama e fecho os olhos e então espero que ela feche seus olhos para que eu possa dormir.

-Wendel  Pedersane-

Duvidas sobre realidade e confusão… Não quis dizer fantasia ou termos relacionados, pois creio não haver tal coisa.
Acredito plenamente que há uma realidade e uma confusão, ou seria uma confusão e uma realidade? Seria isso tudo uma confusão da realidade? Ou a realidade da confusão?
Pensamentos circundam minha mente… Ou minha mente que circunda pensamentos? Enfim, cá estou simplesmente confuso… Realmente confuso… Será isso mesmo?
Se estou digitando essas mesmas palavras aqui neste momento quer dizer que alguma certeza devo ter, mas que certeza estou propondo?
Às vezes quando sonho me sinto mais vivo e real do que quando acordo, seria isso o sonho ou o que penso por realidade ser o pesadelo?
Analisando matematicamente o principio das meditações sobre a primeira filosofia de Descartes me confundi, como usar lógica matemática para tentar provar qualquer tipo de existência? Como usar qualquer lógica para uma existência? Existir não é lógico.
Já não há o niilismo? Ou não? Sentido? Que sentido? Pra que perguntar? E por que se preocupar em responder ou buscar resposta? De que adianta todo o silogismo? Não há!
Vejo-me confuso, não posso crer como viver apenas cem anos pode me trazer qualquer tipo de prazer. Viver por si só não é lá muito prazeroso a não ser que tenha-se nascido em berço de ouro, o que simplesmente torna a vida ainda mais difícil de ser vivida, visto que nada há para impedir o desejo de obter seja qual for esse.
Quando não se nasce em berço de ouro, é terrível, mas algum pequeno sentido ainda se busca nem que seja o de poder dar um berço de ouro a próxima geração e então eles mesmos a próxima geração seria absolutamente niilista, ou seja, sem propósito… Confundo-me com meus pensamentos.
O que nos faz pensar que somos sãos? Sinto-me doente mesmo que não tenha os sintomas, sinto-me terrivelmente assolado por um mal: o mal da consciência aquele que simplesmente me mantém consciente quando não deveria estar, o mal de querer buscar sentido e ter sentido, o que fazer quando não há? O pior está por vir, mas esperar pelo pior e me preparar já não basta, querer melhorar e superar já se torna sem sentido, em breve tudo acabará com o fechar de meus olhos e a escuridão me alcançara e fim!

-Wendel Pedersane-

Por um mínimo instante que seja… A vida passa.
Acompanhando uma melodia ao piano, assistindo o simples vôo de um pássaro… O tempo passa.
Eu olho pela janela e espero os dias passarem… E eles passam.
Deito-me para dormir e reluto em acordar quando o despertador toca… E ele toca.
Demoro mais de vinte minutos no chuveiro deixando a água cair sobre meu corpo… E Ela cai.
Caminho milhas sem olhar para trás e vejo as nuvens mudarem de lugar… E o céu fica cinza.
Olho o infinito e aprecio sua presença no horizonte… E ele me olha.
As curvas de um rio sempre sinuosas e perfeitas… E o rio corre.
O brilho nos meus olhos quando me olho no espelho… E eu não choro.
O sol se põe toda tarde e se levanta toda manhã… E não se cansa.
Tão dura é a vida, mas ela passa…
Tão curto é o tempo, mas longa é uma melodia e um pássaro voando quando nós os contemplamos…
Tão curta é a vida e tão longos os dias, mas ambos têm fim…
A água quando cai sobre meu corpo enquanto me banho é tão limpa, mas quando passa por meu corpo torna-se suja…
O céu escurece e as nuvens se movem, uma tempestade vem, mas uma hora ou outra ela se vai…
Caminho em direção ao horizonte, mas a cada passo a frente a distancia percorrida é maior e o infinito mais distante…
O rio corre, a chuva o rega e as nascentes o fazem forte, mas suas águas hão de secar…
O reflexo no espelho me parece familiar, mas não há mais brilho em seus olhos…
E o sol… Trabalho duro esse confinado a um astro de tal magnitude, por maior que seja e poderoso ainda serve aos homens todos os dias com humildade e vigor e nada impossivel pede em troca… Apenas que seja apreciado.

-Wendel Pedersane-

Algumas vezes me senti solitário e sentei-me num canto vazio a espera de alguém que viesse me confortar.
Por muitos minutos me vi ali esperando, e essa pessoa nunca aparecia, os piores momentos passei a esperar.
Pus toda minha esperança em alguém que simplesmente não correspondeu às minhas expectativas.
Sou um e apenas um, que preciso de alguém, que parece ser não mais que eu mesmo, pois nos momentos em que estou precisando mais de alguém sempre estou sozinho e acabo junto com meu próprio sofrimento curando a ausência de alguém quem nunca conheci ou sequer imagino como seja.
Olhos para os lados nos momentos mais sombrios de minh’alma e ninguém esta ali e eu sozinho me encontro, e encontro conforto em mim mesmo.
Não é necessário que ninguém esteja ao meu lado para que eu me sinta melhor, eu apenas preciso entender que preciso estar em paz comigo mesmo para que os problemas possam ser confrontados e superados.
Eu sou minha única ajuda, eu sei o que esta por de trás de meu sorriso falso, eu sei o que sinto quando não posso chorar a lagrima tão aprisionada em meus olhos, eu sei o nó que dá na garganta quando quero chorar e até mesmo gritar e sei que ninguém estará ali para ouvir.
Eu sou sozinho, e inigualável, o melhor companheiro para mim mesmo, e o melhor conselheiro para meus problemas, busco em mim e acho, pergunto a mim mesmo e sei a resposta.
Mesmo que demore a chegar esse entendimento, esteja certo de que uma hora ou outro nos encontramos e descobrimos que sozinhos passamos a viver, e sozinhos somos, e sozinhos nos consolamos.
Eu sou sozinho e gosto disso, eu sou feliz comigo mesmo, eu rio de minhas piadas e só eu mesmo entendo meu senso de humor, eu mesmo sou o melhor critico para minhas palavras, eu sou o maior juiz das minhas ações e eu sou o único que assisto minhas vitorias e meus fracassos.
Eu escrevo por estar sozinho, se não estivesse sozinho não teria arte, se não estivesse só não escreveria o que meu coração diz; se não estivesse sozinho nesse momento haveria musica e estaria eu dançando e não aqui celebrando minha solidão.
Solidão essa que não é má, solidão essa que não dói, nem atrapalha, solidão que me completa, e solidão que sozinha esta sempre acompanhada.

-Wendel Pedersane-

Poderia Eu deitar e dormir tranquilamente? Seria EU capaz de simplesmente fechar os olhos, ensurdecer-me e calar-me diante do que nos tornamos como espécie?

O propósito básico da maioria das espécies é sobrevivência, expansão e evolução, pelo que vejo EU não me importo com nada disso, apenas viso o lucro e ter mais e mais mesmo que meus filhos e netos paguem o preço.

Incrível é ver que EU me corrompo, tento ao máximo me tornar rico e luto a vida inteira para alcançar a riqueza e mordomias e luxos.

Passo sessenta e cinco anos da minha vida trabalhando e não me importando com o que minhas ações e decisões estão modificando, apenas viso minha própria sombra e em certos momentos penso em deixar uma fortuna para meus filhos, e netos e que minha família, meu legado seja sempre abastado.

Desperdiço minha vida destruindo todas as noções morais que meus pais tentaram me passar, preceitos religiosos são esquecidos seja qual for a minha religião, não sei o que é ética, não sei o que é compaixão sei apenas que quanto mais dinheiro eu tiver menor serão meus problemas.

Minha casa esta linda e bem decorada numa colina com vista para o mar, pena que o clima tem se tornado tão instável ultimamente que não posso viver na minha casa em dias de chuva, pois pode ocorrer um deslizamento de terra.

Tenho um ótimo carro ultimo modelo super potente, mas não o uso por medo de sofre um assalto ou um seqüestro.

Tudo que eu faço é pensando no meu bem estar e o planeta agüenta mais umas “pancadinhas” capitalistas, estou apenas tirando do meu solo, estou aproveitando meus recursos NATURAIS, ou seja, sem impacto nenhum.

Tudo que EU faço tem sentido e faço por amor ao lucro e ao dinheiro, sou apenas EU sendo EU, gosto de regalias e gosto de viver bem mesmo que isso custe a existência da minha espécie.

EU sou assim inconseqüente e desavisado, desavisado não eu fui avisado, apenas não dei ouvidos achando que os problemas viriam para uma geração muito a frente da minha.

O problema que EU não fui o único a pensar assim, outros também o fizeram e agora NOSSAS ações e decisões chegaram antes do que esperávamos e assim por NOSSA causa seremos extintos, não por um meteoro ou pelo apocalipse divino e sim, por luxos, e comodidades e pelo LUCRO.

E isso tudo é culpa de quem me inventou, quando fez deve ter errado a mão…  

                                                                                                   -Wendel Pedersane-

Caminho pelo campo, ao longe vejo uma figura.

Levanto meus olhos e tento focalizar, lá estou eu.

Andando em minha direção, não desvio um centímetro.

Como se andasse em direção a um espelho.

A estrada é simples, apenas pastagens ao meu redor.

Montanhas cercam, é um vale, um rio corre.

Minhas mãos estão cansadas, meus lábios secos.

Olho para trás e vejo as pedras ensangüentadas.

O sol arde em minha cabeça, mas sigo em frente.

Meus olhos já não são os mesmos, tudo é turvo.

Sinto a brisa tocar meu rosto, e mover meus cabelos.

Abro meus braços e deixo o vento me guiar.

Lá à frente estou eu, indo de encontro a mim mesmo.

Mal posso esperar para me encontrar.

Quero novamente poder olhar em meus olhos.

Desejo apertar minhas mãos, e me abraçar.

O vento canta em todas as direções, sopra forte.

O rio dá seu ritmo, sempre constante.

Meus passos marcam um compasso sempre alternado.

Não há aves, nem animais a vista, apenas eu.

Chuto as pedras, para distrair-me de minha caminhada.

Levanto a poeira que o vento desfaz e sujo meus pés.

Lamento meus pecados, teci meu próprio destino.

Lá ao longe estou e sob meu rosto eu permaneço frágil.

Sob meu rosto eu sorrio mesmo amedrontado.

Sozinho me consolo, e aguardo eu mesmo chegar.

Próximo estou já vejo o brilho nos meus olhos.

Corro em minha direção, muitos dias aguardei.

Apenas mais alguns passos à frente.

Estendo a mão, fujo de mim mesmo?

Abro os braços e fico parado, vamos venha…

Ando em minha direção e não me movo?

Liberdade! Preciso de ti, encontre-me.

Não te afastes de mim mesmo, cá cheguei.

Ando em tua direção há muito…

Caminhei apenas por ti, te vejo, mas não te encontro.

Por mim, por ti, por nós!

Aonde irei? Onde descasarei? Quando te encontrarei?

Descanse, estou cansado, durma e acordo.

As pastagens se foram, o rio secou e o vento parou.

Agora entendo, vim até aqui, agora sou outro.

Continue meu caminho.

Sorria, chore minhas lagrimas, sonhe meus sonhos.

Viva minha vida, crie meus filhos e ame minha esposa.

Brilhe e deixe brilhar e que as estrelas te mostrem meu caminho.

Vá… Eu fico já me sinto confortável.

Foi um prazer me conhecer até breve…

 

-Wendel Pedersane-

 

 

“Às vezes agente percebe que fez muita besteira, Por alguns momentos tudo parece sem sentido, Por frações de segundo você se imagina destruído…

E então você pensa: é possível que haja uma saída, porém nem sempre há…

Quando se percebe que cometeu um grande erro, quando realmente vê que nunca mais as coisas serão, como um dia foram, isso faz doer e até seria possível sentir remorso, culpa…

Mas por fim nenhum quando sentimento próximo a esses citados acima te ocorre, o que fazer?

Poderia eu perguntar: você já amou alguém de verdade? E se sua resposta fosse: sim. Então você presumiria que eu também amei alguém e errei com essa pessoa e agora estou passando por esse momento de desilusão comigo mesmo e me sentindo miserável por todos os erros que eu cometi.

Mas não eu nunca amei ninguém, não naturalmente, eu me forcei inúmeras vezes em relações pelas quais eu nunca tive um milímetro de amor puro e verdadeiro pela outra pessoa para a qual eu repetia incessantemente que amava.

Eu não repetia por que sou um cafajeste, não, não por isso. Eu repetia para ver se repetindo incontáveis vezes eu poderia realmente amar.

Eu sempre quis que a frieza dentro de mim se tornasse em um calor que pudesse aquecer ao menos meu próprio coração e talvez no mínimo as mãos de quem eu estivesse segurando-as tentando fazê-las confortáveis.

Às vezes eu choro às vezes eu sorrio pra não perder o costume, tenho que me lembrar sempre que sou humano, porque de outra maneira eu esqueceria.

Eu tentei amar as pessoas próximas a mim, tentei amar as que escolhi para devotar carinho e afeto, mas não funciona. Eu nunca estou com elas, mesmo que eu esteja ao lado delas acordando próximo todos os dias e trocando deliciosas e excitantes conversas… Eu ali não estou, não verdadeiramente.

E agora com o sopro do destino, e com os ventos na direção contraria ao pôr-do-sol, onde tudo fica frio e escuro eu caminho.

A resposta não esta acima nem abaixo, a resposta não esta em mim ou ao meu redor…

A resposta não esta em lugar algum, a resposta não existe…

Apenas temos as perguntas, as respostas são simplesmente o que nos fazem continuar a perguntar…

Mesmo que haja uma resposta ignore-a, não vale a pena saber e nem tentar descobrir se ela é verdadeira.

O que nos resta é continuar perguntando…”

-Wendel Pedersane-

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